Depoimento de uma moradora do Bairro Rio Grande




Nasci e cresci no bairro Rio Grande, numa época em que as ruas ainda eram de terra batida, sem calçamento, sem estrutura — mas com uma riqueza que muita gente não via: a vida simples, as amizades verdadeiras e a liberdade de ser criança. Tive uma infância muito feliz aqui, especialmente na rua onde moro até hoje. Eu vivia brincando na rua até tarde, aproveitando cada momento como se o tempo não existisse. Um lugar que ficou marcado na minha memória é a Praça do Pão — nosso ponto de encontro nos fins de semana. A gente se reunia para brincar, correr e, claro, tomar aquele sorvete que parecia ter o gosto da liberdade.

Sempre gostei muito daqui, mesmo quando o resto da cidade olhava com preconceito para o nosso bairro. Já sofri preconceito por simplesmente dizer que morava no Rio Grande. Por causa da infraestrutura precária, da falta de saneamento básico, do esgoto a céu aberto que ainda passa no meu quintal — muitos julgam sem conhecer. Mas, mesmo assim, eu nunca deixei de me sentir pertencente a esse lugar. E não troco o Rio Grande por nenhum outro bairro. Aqui é onde cresci, onde estão minhas raízes e minhas melhores lembranças.

Hoje, o bairro mudou bastante. Está mais movimentado e, posso dizer, mais estruturado também. Temos supermercado, farmácia, lojas — tudo pertinho, o que facilita muito o nosso dia a dia. Com a prefeitura instalada aqui, algumas melhorias começaram a ser mais faladas, o que é um avanço. Mesmo assim, o Rio Grande ainda não é valorizado como merece.

Pouca gente sabe, por exemplo, que aqui temos um museu, uma biblioteca e um mirante com uma vista linda. São riquezas culturais e naturais que muitos de fora nem imaginam que existem aqui.

Rio Grande é mais que um bairro. É parte de mim. Um lugar que me ensinou a ver beleza onde poucos olham, a ter orgulho das minhas raízes e a acreditar que a verdadeira riqueza de um lugar está nas pessoas que o tornam vivo.

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